Backpacking Two

Viajando de ônibus pela Bolívia

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O nosso mochilão pela Bolívia/Peru foi feito inteiramente de ônibus. Dos 32 dias viajando, pelo menos uns 06 dias foram gastos deslocando entre as cidades/países dentro desse meio de transporte tão econômico por estas bandas.

E hoje vou contar nossas experiências dentro dos ônibus da Bolívia.

Se você reclama dos ônibus intermunicipais/interestaduais do Brasil é por que ainda não conhece os da Bolívia.

A maioria das companhias oferecem bus-cama, com apenas 03 filas, ar-condicionado e banheiro. E o melhor: a preços bastante acessíveis para a nossa moeda. Você entra feliz da vida, achando que durante uma viagem de 22 horas terá uma ótima noite de sono e um ótimo descanso.

Não é bem assim.

Viagem: Puerto Quijarro – Santa Cruz de La Sierra

Após atravessar a fronteira Brasil-Bolívia, fomos direto pra um galpão com guichês de vendas de bilhetes de ônibus, mais conhecido como rodoviária. Tínhamos comprado nossas passagens no Brasil, na cidade Corumbá-MS, que faz divisa com a cidade de Puerto Quijarro, já que nos foi informado que não encontraríamos bons lugares se deixássemos pra comprar em cima da hora. Sim, fomos enganados. Compramos lugares em um ônibus semi-cama e lá encontramos ônibus leito pela metade do preço que pagamos. Tudo bem, vivendo e aprendendo.

Na hora do embarque descobrimos que nossas malas iam no bagageiro sem qualquer identificação. Confesso que fiquei com medinho, pois era o início da viagem e não queria ficar sem minhas coisas.

No mais, ao olhar direito percebi que o ônibus estava caindo aos pedaços, que as pessoas levavam pintinhos e galinhas nos bagageiros de mão e que o banheiro era bem precário. Pelo menos tinha ar-condicionado fraquinho, o que salvou nossa viagem, já que a temperatura beirava os 42ºC.

E eu não fiquei sem minhas coisas! 😀

Viagem: Santa Cruz de La Sierra – La Paz

Após muita procura, já que as passagens nas melhores companhias estavam esgotadas, compramos passagem em um bus-cama, com 03 filas, ar-condicionado e banheiro.

Saímos de Santa Cruz no final da tarde, com temperatura de 44ºC.

Ao entrarmos no ônibus qual foi a primeira notícia? “ ─ Não tem ar-condicionado.” ─ Ahn? Mas, nós pagamos pra ter ar-condicionado.” “ ─ Desculpe, não tem, mas, vocês podem abrir as janelas.”  Pelo menos as janelas abriam.

O ônibus até que não era tão velho, mas tinha um banheiro muito precário e fedido, que fica mais fedido ainda no calor. Ainda bem que estávamos sentados bem longe.

O calor era tanto que não tinha água que sustentasse. Compramos umas 6 garrafinhas de água dentro do ônibus e tomamos todas elas (só o Breno tomou umas 04) antes mesmo da viagem começar.

Começamos a viagem em um calor infernal, vestidos com roupas de verão (short/blusinha e bermuda/camiseta) e sem meias e botas. As janelas ao menos permitiam que o ar pouco fresco de fora tirasse o bafo que estava dentro. Mas, mesmo assim, éramos cozidos no bafo.

Depois de passar muito calor, ao longo das horas e da distância percorrida, a temperatura começou a ficar mais agradável e conseguimos dormir. Acordamos em um frio de 17ºC e uma sensação térmica de uns 10ºC, devido ao vento que entrava pelas janelas. E lá foi o Breno fechar todas as janelas abertas do ônibus, já que a maioria das pessoas estavam dormindo.

Em Santa Cruz fazia tanto calor que nem pensamos em levar roupas de frio com a gente. Eu levei apenas uma calça jeans e uma blusa de moletom. O Breno levou só uma jaqueta de moletom com o zíper estragado. Ou seja, passamos frio. Muito frio!

Com o frio veio a vontade de ir ao banheiro… aquele fedidão. Preferi esperar a primeira parada. E o Breno? Bem, nem ele conseguiu suportar o cheiro e acabou fazendo em uma das muitas garrafinhas de água que tínhamos. Eu já quase segui no improviso, porém o ônibus parou antes disso. Primeira e única parada, as 23:00h. Lugar lotado! O banheiro da parada não era nada bom, mas dava bem pro gasto.

Voltamos pro ônibus e o frio só aumentando. O pior era que algumas janelas estavam estragadas e não fechavam direito, o que permitia que o vento de fora entrasse gelando tudo.

Foram 22 horas de viagem, com apenas uma parada para ir ao banheiro.

Saímos de um calor de 44ºC em Santa Cruz de La Sierra e chegamos em um frio de 6ºC em La Paz.

No final, chegamos bem. Congelados, mas bem!

Viagem: La Paz – Copacabana

Informaram-nos que havia ônibus que saía do cemitério de La Paz a toda hora e bem mais barato. Saímos de lá e, realmente, o preço da passagem era metade das que encontramos vendendo na rodoviária.

Ônibus pequeno, sem banheiro, com janelas que abrem.

Não tivemos nenhum problema, já que a viagem era curta.

Viagem: Copacabana (Bolívia) – Puno (Peru)

Por ser mais barato, compramos as passagens na rua mesmo, numa barraca que vendia tanto frutas, quanto passagens.

Os ônibus saem da praça principal da cidade.

O ônibus era pequeno, sem banheiro, sem ar-condicionado e sem janelas que abrem. Resultado: bafo.

Ainda bem que estava meio friozinho, senão teríamos cozinhado no bafo novamente.

Viagem: La Paz – Santa Cruz de la Sierra

Nossa penúltima viagem pela Bolívia.

Chegamos à La Paz bem cansados, após viajar umas 15 horas vindo de Cusco (Peru).

Partiríamos de La Paz no outro dia e pra não ficarmos na correria, resolvemos comprar as passagens para Santa Cruz. Compramos em uma companhia mais barata (o dinheiro estava curto), que nos garantiu que a viagem seria no dia seguinte, às 19:30h. A canseira era tanta que nem conferimos.

Quando fomos embarcar, descobrimos que a passagem era para o dia anterior. Depois de muito desespero (da minha parte, especialmente) e de dispor dos nossos últimos reais, conseguimos lugares no próximo ônibus que sairia dentro de uma hora, nos sendo garantido que ainda chegaríamos a tempo de pegar o Trem da Morte para Puerto Quijarro, o qual já havíamos comprado as passagens.

Embarcamos. Conosco embarcaram milhares de caixas de não sei o que, que lotaram todos os espaços vagos, inclusive a porta para o banheiro. Ou seja, tínhamos ônibus-cama, confortável, mas sem banheiro. Descobrimos que as janelas também não abriam, mas, estava muito frio, o que era bom.

Dormimos. Acordamos no outro dia, em um calor infernal, sem ar-condicionado ou qualquer abertura para dispersar o bafo. Arrependi de ter achado bom o fato das janelas não abrirem.

O pior era que as janelinhas dos tetos solares também não abriam e nenhum dos funcionários estava disposto a nos ajudar. Várias pessoas (passageiros) tentaram e nada. O jeito era curtir o calor, o bafo, o calor humano delícia. Não dava. Simplesmente, não dava. Só lembro de ver o Breno levantando e, com uma força que não sabia de onde vinha, conseguindo abrir o teto solar em cima da gente. Felicidade resume. E ele conseguiu abrir os outros 02 tetos solares! Comoção geral! Todos aplaudiram!

Acabou que o esse ônibus atrasou e tivemos que trocar para outro que chegaria no horário para pegarmos o próximo transporte. E esses são relatos para outro post. 😉

Viagem: Santa Cruz – Puerto Quijarro

Compramos passagens em uma companhia muito boa. As poltronas eram cama, 03 fileiras, com banheiro e ar-condicionado dos deuses.

Vários brasileiros operados (Santa Cruz é uma cidade bastante procurada por brasileiros em busca de bons cirurgiões plásticos a preços acessíveis).

Viagem tranquila, sem nada pra reclamar.

Últimas considerações sobre as viagens de ônibus pela Bolívia:

– as estradas/rodovias até que são boas.

– atrasos são recorrentes, tanto na saída, quanto na chegada.

– somente são vendidos bilhetes do dia.

– os banheiros, quando há, são precários.

– quase não têm paradas, sendo, no máximo, uma por viagem.

– é sempre bom levar bastante água, já que não há paradas rápidas para tais compras.

– as pessoas levam galinhas e pintinhos no bagageiro das malas de mão.

– é bom perguntar (nos centros de informação ao turista ou para os cidadãos locais) quais são as melhores companhias para as viagens.

– vale a pena pagar um pouco mais nas melhores companhias e talvez garantir um ônibus com ar-condicionado.

E as pessoas me perguntam se compensou.

A resposta é sempre a mesma: “ ─ Sim, muito!”. As vistas são impressionantemente lindas e a economia (gastamos entre R$1.000,00/R$1.500,00 cada em passagens – saindo de Uberlândia e voltando pra Uberlândia) nos possibilitou viajar por muito mais dias. 😀

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Autor: Wanessa

advogada, 30 anos, apaixonada por viajar, com, no momento, 22 países guardados na memória e no coração.

3 pensamentos sobre “Viajando de ônibus pela Bolívia

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