Backpacking Two

Viajando Sem Data de Retorno

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Quem chega ao blog hoje e vê que estamos a viajar já há pouco mais de 9 meses consecutivos pode pensar que somos milionários ou que alguma outra pessoa está bancando esta nossa viagem, mas a verdade é que ela foi realmente fruto de muita deliberação e fronteiras transpostas. Enfrentei muita resistência por parte da família e da lógica vigente em nossa sociedade para poder estar aqui, afinal, me desfiz de bens e juntei (juntamos) dinheiro só para gastar com “coisas supérfluas que não gerarão retorno” (financeiro, obviamente!), como já descreveram para mim quando relatei minhas intenções. Isso tudo justamente quando era para eu começar a focar intensamente no início da minha carreira e em acumular bens.

Mas, longe disso estão minhas intenções; ao menos as atuais. Hoje em dia tenho sede pelo desconhecido e pelo curioso, você sabe, aquelas coisas que fazem o ser humano ser tão… humano. Hehehehehe. E nada melhor para saciar essa sede do que com uma boa dose de cultura, quanto mais adversa, melhor a pitada. Quanto mais alienígena, melhor! É nessas horas que floreia meu lado mais “humanas” de ser… meu lado que é sociólogo, antropólogo, psicólogo, filósofo, historiador, geógrafo, e por aí vai.

Vietnamita tipicamente vestida e carregando coisas nessas “cestas”. Cena vista em Hánoi, no Vietnã (maio, 2015).

Em Mianmar, homens e mulheres usam saias, chamadas lungi e as mulheres carregam o que precisam equilibrando tudo na cabeça. Cena vista em Mandalay, Mianmar (junho, 2015).

E que ‘viagem’ tem sido essa viagem!

Apesar dessa alta do dólar ter encurtado nossos planos iniciais em aproximadamente um terço do tempo planejado, não me desesperancei. Muito pelo contrário, ter visto tantas novas formas de se experienciar e interagir com o mundo me abriu os olhos um pouco mais à formas alternativas de se pensar e (con)viver com/no mundo. Depois de todo esse tempo desde que saímos de Uberlândia para vir pra um outro continente tão distante, repleto de História e culturas únicas, hoje posso dizer com alegria que cada novo quilômetro rodado e amizade feita, me reestruturei em um novo Breno; ainda muito parecido com o(s) de antes da viagem, mas também muito diferente e ainda mais curioso.

Templo Rajaburana, em Ayutthaya, a antiga capital da Tailândia (dezembro, 2014). Local onde se pode caminhar desvendando a história! Hoje é um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Angkor Wat, em Siem Reap, no Camboja (fevereiro, 2015). Construído no século XII, durante o auge do Império Khmer. Hoje é um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. É o templo mais visitado de todo o Camboja.

Templo Ta Prohm, em Siem Reap, no Camboja (fevereiro, 2015). Construído no final do século XII e início do século XV d.C, tal templo serviu de set para o filme Lara Croft: Tomb Raider (2001). Hoje também é um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Santuário My Son, no Vietnã (abril, 2015). Datado do século IV ao século XIII, d.C., fortemente bombardeado durante a Guerra do Vietnã, é o sítio arqueológico mais importante do Reino de Champa, hoje, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Pagoda Tran Quoc: a mais antiga de Hánoi, com mais de 1.500 anos (maio, 2015).

Pagoda Shwedagon, em Yangon, Mianmar (junho, 2015). Datada de 1.300 d.C, é o símbolo religioso mais importante de toda Mianmar.

Bagan, em Mianmar, é a cidade dos mais de 2.000 templos, datados dos séculos XI e XII d. C. Infelizmente, não foi reconhecida como Patrimônio Histórico Mundial pela UNESCO, pois muitos desses templos foram restaurados sem manter a originalidade. Na foto, um pedacinho de Bagan vista do topo de um desses templos, o Myauk Guni Paya (junho 2015).

Myauk Guni Paya, Bagan, Mianmar (junho, 2015).

Gostaria de te dizer/inspirar, caro leitor, que se hoje tenho tantos novos e frescos carimbos no passaporte, é por conta de um único motivo: tomei a decisão de vir. Sei que corro o risco de ressoar piegas, mas a verdade é que, ao menos para mim, uma vez que a decisão é tomada, só o que resta é me programar e construir possibilidades que me propiciassem que essa decisão se tornasse realidade. E assim o fiz. O momento nunca será oportuno. Isso é um fato que já descobri: sempre haverá algum empecilho ou algum assunto pendente. Em qualquer escolha que você fizer, haverão sacrifícios a serem feitos… Mas, fazer o quê? Tudo questão de prioridades. “C’est la vie !”, não é mesmo? 😉

Nha Trang, no Vietnã, vista das Po Ngar Cham Towers (abril, 2015).

Templo Plai Laem, em Koh Samui, na Tailândia (janeiro, 2015).

Vang Vieng, no Laos (maio, 2015).

Praia Malibu, Koh Phangan, Tailândia (janeiro, 2015).

Ha Long Bay, Vietnã (maio, 2015). Ha Long Bay é um arquipélago composto por entre 1960 e 2000 ilhas, no nordeste do Vietnã. É listada como um Patrimônio Histórico Mundial pela UNESCO.

Pôr do sol em Mandalay, Mianmar (junho, 2015).

Mesmo o nosso casamento foi, por mais estranho que pareça, mais um desenrolar dessa minha decisão. Já estávamos juntos há 8 anos sem quaisquer pretensões de casar ainda, e depois que lha compartilhei, com muito custo, dessa minha decisão, tive o fortuito de já ter lha conferido um pouco do meu gosto pela estrada ao longo de nosso relacionamento suficientemente para ela não apenas compreender do que lhe falava, mas se empolgar e decidir me acompanhar nessa “loucura” que é resolver sair mundo afora sem destino definido ou data de retorno. Do casamento em si, planejamos tudo com apenas 1 mês de antecedência e fizemos uma festa pequena, apenas para a família e amigos íntimos; nunca fui muito dado à essas convenções mesmo! Então, posso afirmar que sim: é excelente poder compartilhar dessas experiências todas com uma companheira, melhor amiga e, já um ano depois, esposa.

O blog em si começou como uma maneira de mantermos um pouco de contato com família e amigos no Brasil, mas hoje em dia vemos nele uma possibilidade única de compartilhar e instigar nas pessoas a vontade de viajar e desbravar suas próprias fronteiras, já que boa parte dos nossos próprios incentivos também vieram de tantos outros blogs de viajantes como nós! Afinal, se eles conseguiram, por que nós não?! =D E o meu ponto é: se nós conseguimos… oras, por que você também, caro leitor, não conseguiria?! E não me refiro apenas a fazer longos mochilões por lugares menos tradicionais (isso seria ótimo!), mas sim a visitar aquele lugar, qualquer que seja, que você sempre quis ver de perto, seja porque viu numa reportagem na tevê, num vídeo na Internet ou aquele(a) amigo(a) que foi e te deixou com a pulga atrás da orelha.

Pai, Tailândia (maio, 2015).

Bangkok, na Tailândia, vista do Skybar, um dos pontos mais altos da cidade (dezembro, 2015).

Mirante John Suwan, Koh Tao, Tailândia (janeiro, 2015). Não é só a subida que é de tirar o fôlego!

Cachoeiras Kuang Si, em Luang Prabang, no Laos (junho, 2015).

Píer Bangrak, em Koh Samui, na Tailândia.

Praia Kata Noi, em Phuket, na Tailândia (julho, 2015).

Pôr do sol em Phuket, Tailândia (julho, 2015). É vendo pores do sol assim como esse que tenho a certeza de que tudo vale a pena!

O mundo é enorme, lindo, e hoje em dia são tão variadas as formas de viajar que as distâncias até podem ter diminuído, mas a diversidade só aumenta! Celebremo-na, portanto, da melhor forma possível: viajando pelo Brasil ou acrescentando mais uns carimbos naquele passaporte que anda guardado na gaveta já há tanto tempo, aproveitando pra desbancar alguns preconceitos ainda de quebra! 😉


Fotos: Arquivo pessoal.

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Autor: Breno

Psicólogo, 29 anos, com, no momento, 27 países guardados na memória e no coração.

2 pensamentos sobre “Viajando Sem Data de Retorno

  1. Lindo o texto! A gente se inspira ainda mais, mesmo nós que já estamos na estrada! Abraços nossos pra vcs.

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    • Obrigado, Mariana! Fico feliz em saber que inspirou até vocês! 😀

      Que durante essa viagem vocês descubram, experimentem, apreciem e vivenciem ao máximo o que o mundo tem pra oferecer.

      Torcemos para que ainda nos encontremos por aí!

      Abraços!

      Breno e Wanessa.

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