Backpacking Two

O dia em que perdemos nossa moto em Hanói, no Vietnã

2 Comentários

Dia 15 de maio de 2015 era o nosso penúltimo dia em Hanói. Não só em Hanói, mas em todo o Vietnã.

Acordamos, almoçamos e resolvemos ir à Catedral São José, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Era a terceira vez que íamos lá. A primeira vez chegamos após as 17:00h, já estava fechada e a vimos só por fora.

Catedral São José, Hanói, Vietnã (maio, 2015).

Catedral São José, Hanói, Vietnã (maio, 2015).

A segunda vez estava aberta, mas chegamos no horário de uma das missas e estava lotada. Não dava para conhecer direito por dentro.

Catedral São José, Hanói, Vietnã, durante uma das missas (maio, 2015).

Por dentro da Catedral São José, Hanói, Vietnã, lotada durante uma das missas (maio, 2015).

Por dentro da Catedral São José, Hanói, Vietnã, lotada durante uma das missas (maio, 2015).

A terceira e última vez, chegamos antes das 17:00h, não acontecia qualquer missa e estacionamos a moto nos entornos da praça da Catedral, como das últimas 2 vezes.

Assim que estacionamos, uma moça que trabalhava no restaurante em frente, do outro lado da rua, veio nos falar que não poderíamos estacionar ali, pois era só para clientes. Era a 3ª vez que estacionávamos lá. Estava cheio de motos estacionadas e, dentro do restaurante, não tinha clientes. Ela insistiu e, pra evitarmos problemas, estacionamos um pouco ao lado, fora da frente do restaurante, juntamente com outras motos.

Visitamos a Catedral, vimos todos os detalhes, principalmente dos vitrais que são lindos, saímos, vimos a moto e, como ainda estava cedo, fomos conhecer um dos templos de Hanói, que se encontra lá perto.

Visitamos o templo por cerca de 30 minutos e quando voltamos não encontramos a moto e nenhuma outra estacionada no local onde haviam várias.

Na Tailândia já tinha acontecido antes de alguém querer utilizar o local para um descarregamento ou qualquer outra coisa e colocar a moto em outro lugar por perto. Quando isso acontece, pode ter certeza que a moto estará nas redondezas.

Andamos lá perto, no quarteirão de cima, no quarteirão de baixo, nos quarteirões dos lados e nada! Pensei que tinham roubado…

… mas será que alguém iria se dar o trabalho de roubar uma moto antiga, com várias partes quebradas igual a que alugamos?! Tinha tantas outras mais novinhas e melhores por lá!

Perguntamos pra moça do restaurante e ela disse que não sabia o que tinha acontecido, mas a cara dela denunciava que estava mentindo.

Tinha uma vendinha na esquina e perguntamos se haviam visto o que aconteceu com as motos estacionadas por lá. Ninguém falava inglês e chamaram uma moça que estava dentro da vendinha pra nos falar que a polícia tinha apreendido, pois havíamos estacionado em local proibido. A delegacia era perto e deveríamos ir lá ver o que eles poderiam fazer por nós. Talvez eles nos devolveriam a moto sem problemas.

Fiquei incrédula. Realmente não tivemos sorte com o aluguel de motos no Vietnã! :/

Passamos na porta da delegacia, contornamos os quarteirões por perto pra ver se encontrávamos a moto, e nada… Nem sinal de qualquer outra moto apreendida.

Ficamos com receio de entrar, pois estrangeiros sem carteira própria e internacional não são autorizados a dirigir moto pequena no Vietnã. Vai que nos prendem no nosso penúltimo dia no país?! :/

Resolvemos voltar a pé para a nossa Guesthouse, pois foi onde alugamos a moto e queríamos perguntar à dona o que deveríamos fazer. Eram uns 2 km até lá.

Chegando na Guesthouse contamos o caso e a dona nos disse que poderíamos ir à delegacia sem problemas, era só falarmos que não sabíamos que não poderia estacionar lá, que somos estrangeiros e não conhecemos as leis, que pegamos a moto emprestada. Se fosse para ela requerer a moto, seria multada em um valor bem alto… se nós fossemos e déssemos uma de desentendidos, eles nos devolveriam a moto sem problemas.

Não tínhamos outra alternativa… Retornamos a pé pra delegacia. No meio do caminho, pra piorar, começou a cair o mundo em forma de chuva. Foi a maior chuva e mais forte que pegamos nos 02 meses que passamos no Vietnã. Arranjamos um lugar para esperar passar, mas, como não tínhamos guarda-chuva ou capa-de-chuva no momento, já estávamos encharcados. Resolvemos continuar o caminho embaixo da chuva mesmo. Eu só queria que acabasse tudo logo e que desse tudo certo!

Quando chegamos, totalmente encharcados e pingando, os policiais (eram 5) já nos lançaram aqueles olhares de “o que vocês, estrangeiros, estão fazendo aqui no meio dessa chuva?”. Depois dos olhares e algumas palavras, descobrimos que somente um dos policiais falava um pouquinho de inglês. Explicamos, demos uma de bobos e ele só falava que estacionamos no lugar errado. Todos, mesmo sem saberem conversar direito em inglês, só repetiam isso.

Continuamos dando de desentendidos mais um pouco e percebemos que eles estavam querendo dinheiro pra liberar, pois ficavam falando coisas em vietnamita e mostrando os bolsos. O Breno deu uma de mais desentendido ainda perguntando se eles queriam as chaves, as tirando do bolso e falando (tradução do inglês e das mímicas): “- Aqui ó policial, a moto é nossa, olha a chave, podemos comprovar!.”

Explicamos que estávamos indo embora no outro dia, que só pegamos a moto emprestada um pouquinho para irmos à Catedral, que não sabíamos que não podia estacionar ali (isso era verdade, pois não havia qualquer placa proibindo o estacionamento), que haviam muitas outras motos estacionadas. Pedimos desculpas mil vezes, falamos que não tínhamos dinheiro, que somos mochileiros econômicos e viajamos com tudo contado.

Eu comecei a achar que não sairíamos dali sem pagar alguma coisa e o desespero interno apareceu!

Foi quando, com os olhos enchendo de lágrimas, olhei  pra um dos policiais que vi que era o chefe e pedi pelo amor de Deus que liberassem a moto sem custos. Ele olhou bem na minha cara e nos chamou pra entrar em outra sala.

O primeiro pensamento foi “íh, deu merda!”. Fui lacrimejando, pensando milhares de coisas ruins, quando entramos na sala das motos apreendidas. Pelo menos vimos que a nossa estava realmente lá. Ufa!

Ele perguntou qual era a nossa, mostramos e nos liberou para sairmos com ela.

Fiquei meio sem reação e perguntei (primeiro em português e depois em inglês) “- Agora? Podemos ir?”. Ao que ele respondeu num inglês bem forçado (tradução para o português): “– Sim! Podem ir. Mas não façam mais isso!”.

No final das contas o olhar de desespero ajudou de alguma forma! Hahaha! 😛

Agradecemos muito, subimos na moto e voltamos pra Guesthouse, embaixo da tempestade, porém radiantes!


Nota: Não temos fotos do dia porque em 20 de maio de 2015 nossa câmara foi roubada em Vientiane, no Laos e perdemos praticamente todas as fotos dos 04 últimos dias em Hanói. 😦


Fotos: Arquivo pessoal.

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Autor: Wanessa

advogada, 30 anos, apaixonada por viajar, com, no momento, 22 países guardados na memória e no coração.

2 pensamentos sobre “O dia em que perdemos nossa moto em Hanói, no Vietnã

  1. Essa viagem de vocês está sendo foda! Parabéns pra vocês dois, de verdade…
    Continuem postando, sempre leio quando posso!!

    Até a volta

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    • Agradecemos muito, Felipim! O seu apoio é muito importante para nós!

      Infelizmente, já temos data de retorno… a viagem acabará, mas as histórias não! Ainda temos muitas coisas pra contar e compartilhar!

      Saudades!

      Nos vemos em breve.

      Beijos!

      Wanessa e Breno.

      Curtir

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